1 - Origem da raça
Crê-se que os ovinos da raça Churra Galega Mirandesa têm relações filogenéticas com o Ovis aries studery . A criação de ovinos no Planalto Mirandês data de alguns séculos. Já no primeiro censo efectuado a nível nacional em 1980 no qual se fazia a divisão dos ovinos em três tipos, o Bordaleiro, (com os subtipos Feltroso, Churro e Comum), o Merino e o Estambrio, eram referidos em Trás-os-Montes como os Bordaleiros Comuns no Planalto de Miranda do Douro.
Segundo Bernardo de Lima (1873), no Planalto Mirandês existiam os ovinos Churros do tipo Galego Mirandês. Considerava-se então em Trás-os Montes a sub-raça Bordaleira Churra, com “ aplicação industrial que é própria, isto é, satisfaz os três fins que lhe pedem: fornecimento de lã, de carne, e de estrume …”.
Considerava-se como tradicional o sistema de pastoreio, “vivem de dia e de noite no campo, pernoitam nas cancelas para adubar as terras de cultura…” (Ortigosa, 1926)
2 - Classificação e caracterização da raça
Cabeça em geral comprida, afilada, de perfil craniano sub-convexo e sem lã; as fêmeas não têm cornos, estes são frequentes nos machos e têm uma forma espiralada e de secção triangular. Os olhos de tamanho médio e circundados de manchas pigmentadas castanho escuro ou preto, distribuição essa que se verifica igualmente nas orelhas e nos lábios.
O pescoço comprido médio mas pouco largo, de má ligação ao tronco é coberto de lã em toda a sua superfície, o tronco é pouco volumoso e estreito, com costelas pouco arqueadas, garrote pouco saliente e espádulas achatadas, garupa um tanto curta, descaída e cauda comprida.
O úbere é globoso, com tectos bem implantados. 
Os membros são curtos mas fortes, frequentemente pigmentados, assim como as unhas, que são rijas e de tamanho médio; deslanados nas extremidades livres.
A pele é fina e untuosa, branca ou amarelada. O velo é extenso e relativamente pesado; constituído por madeixas compridas e pontiagudas. São animais de elevada rusticidade, bem adaptados ao meio onde estão inseridos. O nome da raça corresponde à toponímia da nossa região, sua área de produção.
Os ovinos da raça Churra Galega Mirandesa são animais de pequeno porte- elipométricos e brevilíneos- e reduzida corpulência mas têm em contrapartida, um velo extenso, relativamente pesado e lã de apreciável qualidade.
A sua alimentação (animais adultos) é essencialmente assegurada pelas pastagens espontâneas (lameiros, terrenos baldios e incultos), pastagens semeadas (ferrãs) e flora arbustiva existente.
Os cordeiros alimentam-se de leite materno até ao abate, suplementando com alimentos sólidos
(feno, aveia, centeio) a partir das duas a três semanas de idade.
3 - Produtos específicos da raça
Além da carne tenra, suculenta e saborosa graças ao tipo de alimentação, às condições edafoclimáticas da região Mirandesa e ao modo de produ
ção produzem-nos também a lã. Esta é procurada localmente para ser utilizada no fabrico de artigos de artesanato característicos desta região, por ser grosseira, de fibras compridas e com um brilho e toque que as valoriza.
O Concurso Concelhio de Ovinos de Raça Churra Galega Mirandesa, realiza-se anualmente em Miranda do Douro no mês de Abril.

Associação Nacional de Criadores de Ovinos de Raça Churra Galega Mirandesa
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Posto Zootécnico de Malhadas
5210-150 MALHADAS
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