Passar para o Conteúdo Principal
siga-nos

Santuários Rupestres

"Santuário" diz-se pela sua relação com o santo. A sua origem, do supino latino "sanctum" (do verbo sancio), indica que é recetor da santidade que lhe comunica a presença de um elemento santificador. É, pois, depositário de uma santidade não própria. Também pode acontecer que essa santidade seja de uma transferência subjetiva: os habitantes daquelas paragens "vêem" uma similitude com certas imagens mentais que, para eles, são símbolo de "santidade”, e transmitem-nas.
Santuários são aqueles onde se realizam ritos que, por sua vez, podem constar de cerimónias complexas, pelo que são necessários vários elementos funcionais.

  • Lugar Sagrado de "Santo Albino", Vila Chã de Braciosa

    É possível, ainda que com muitas reservas, que a zona isto é, o entorno onde se encontra situada a ermida, seja sagrado desde tempos muito antigos. Atualmente, é um «âmbito sagrado», a que se acede por um caminho carreteiro ou carril, que morre num largozito, formado, pelas paredes rústicas das "cortinhas" que a circundam. O que sobressai mais do conjunto constitui-o, atualmente, uma edificação central - a ermida, hoje em ruínas, de cerca de 5m de lado, sem nenhuma janela para o exterior, precedida, a Oeste, de um pórtico de dois metros de profundidade.
    Apresenta um arco à entrada, hoje destruído, que, pela curvatura que as ombreiras referenciam, seria provavelmente em ferradura do tipo visigótico.
    Acede-se ao interior do recinto a modo de quadrado, orientado para Este por uma porta, aberta a poente, com os dintéis formando um falso arco.
    O problema que se coloca neste recinto sagrado, é que não se conserva nenhum altar. Talvez estivesse no próprio recinto, hoje, a ermida. Ou, até, nem tivesse altar e o culto estivesse centrado numa árvore sagrada, hoje desaparecida, que houvesse no atual recinto.
    Na própria zona e não muito longe, para norte, no termo de Freixiosa, encontram-se ruínas de um "castrilhouço" e ao lado o chamado "buraco dos Mouros", escavado em rocha granítica.

    In:Santuários Rupestres pré-histórios em Miranda do Douro, Zamora e Salamanca

     

    DOC013 (1) DOC014 (1)

  • Santuário de "Fraga da Roleda", Ifanes

    O santuário encontra-se nos arredores e ao norte do povo de Ifanes. No povo há uma fonte e, nas cercanias do santuário, passa um pequeno regato. A umas centenas de metros, para Sudeste, houve um povoado antigo, chamado "Touro", encontrando-se, na superfície, abundantes restos cerâmicos, entre eles tegulae romanas e mós manuais circulares.
    Inesgotáveis nascentes que há ali perto, e fontes, como a "fonte da moura" asseguravam água abundante para a atual povoação de Ifanes.
    O Santuário situa-se num antigo bosque de carrascos dos quais ainda restam idosos exemplares, encontra-se uma rocha ou penha de natureza granítica, aproximadamente de um metro de altura, a que no ocidente salmantino, chamaríamos "lanchal", de perfil arredondado, rodeada atualmente por carrascos.
    Afortunadamente, conservou-se neste santuário, praticamente integro, a totalidade dos seus elementos, incluindo o círculo perimétrico arbóreo, por ter estado soterrado, desde há muito tempo, até ser descoberto.
    Observam-se de Nordeste duas escaleiras: uma com dois degraus, de execução muito tosca, para o acesso, de fora, à plataforma superior da rocha, e outra, oposta à anterior, com outros dois degraus, desta vez bem talhados, que permitem a descida até uma grande escavação de forma bi-retangular que, praticada no centro da rocha, à maneira de uma pequena piscina de profundidade reduzida.
    Para noroeste, escavado na própria rocha, há também um banco corrido, com encosto, aproximadamente de um metro e meio de comprimento, o qual, voltado para a piscina estaria destinado possivelmente, à maneira de banco de cerimónias, para o grupo de representantes gerônticos da comunidade e/ou oficiantes/ajudantes das cerimónias.
    Num plano ligeiramente mais elevado que a base do banco corrido, e formando ângulo recto com ele, a modo de esquadro, encontra-se, para Nordeste, um escalão. À sua direita, há mais dois escalões, orientados, como aquele, também para Nordeste e, sobre eles, um degrau corrido e mais largo que os escalões anteriores, que formaria o altar do monumento.

    In:Santuários Rupestres pré-histórios em Miranda do Douro, Zamora e Salamanca

     

    DOC013 DOC014

  • Santuário de "Penha das Casicas" - Vila Chã de Braciosa

    Está situado no âmbito de um povoado antigo, de que não há dados.
    O topónimo "Casicas", que dá nome a este santuário referencia, em Portugal, a existência, nesses lugares, de povoações antigas. DE facto, encontram-se cerâmicas proto-históricas na zona, mas que parecem corrobar que o santuário estava no território - âmbito- de um povoado. Menos significativo é o outro topónimo que se lhe aplica: "Penha da Pia" (Fraga da Pia), que é meramente descritivo, encontrando-se no chamado Lameiro do vale, a cerca de 300 metros, para Norte, da capela de Sta.ª Cruz.
    A "Penha das Casicas" é constituída, essencialmente, por três rochas de granito. Todas vistas de frente, estão orientadas a Nascente. A do centro está bastante trabalhada sobretudo na sua parte frontal. Em cima, de frente apresenta talhado um rebaixo, formando escalão, que constitui uma ara ou altar de sacrifícios. O resto do seu topo é arredondado, a modo de cúpula natural, sem que se observe trabalho algum. À direita do altar apresenta, gravado, um petrogllifo, que consta de duas linhas rectas convergentes, formando uma espécie de "V" com o Ângulo bem agudo e, com o traço da esquerda, que corre por cima, paralelo ao bordo do frontal do altar.

    In:Santuários Rupestres pré-histórios em Miranda do Douro, Zamora e Salamanca

     

    DOC012

  • Santuário de "São João das Arribas" - Aldeia Nova

    No Castro da Idade do Ferro de "São João das Arribas", deu-se uma grande romanização, a julgar pelos restos cerâmicos encontrados, muitas estelas. É pois um castro romanizado.
    Aldeia Nova é um pequeno povoado situado junto aos declives acentuados do Douro, nas "Arribas".
    A leste do citado povoado, parte um caminho romeiro que, mesmo à saída, no momento em que torce bruscamente para a esquerda, começa a descer até à ermida de São João das Arribas, situada a pouco menos de um quilómetro de distância, e numa posição mais baixa que aldeia.
    O pequeno povoado está à beira de uns imponentes alcantilados, que caem ali na vertical, formando um impressionante canhão, que torna inexpugnável o castro por toda a zona Este. O resto do perímetro esteve bem protegido por muralhas.
    O caminho de descida percorre um terreno quebrado até uma zona abrupta, onde cresce a carrasqueira, o freixo, o carvalho, a amendoeira, a oliveira, o tomilho e a escova. Percorrido cerca de meio quilómetro de descida constante, lá ao fundo, para a direita, divisa-se a ermida primorosamente branca, quase resplandecente, de S.João. É pequenina e de planta retangular.
    À esquerda da ermida, está erguido, ao ar livre, um altar moderno, onde, no dia da festa, se celebra a Missa do Santo.

    In:Santuários Rupestres pré-histórios em Miranda do Douro, Zamora e Salamanca

     

    DOC008 (1) DOC009

  • Santuário do "Abrigo do Passadeiro", Palaçoulo

    Localizado num apertado vale da Ribeirica, o "Santuário de Passadeiro" aparece com um covacho aberto numa rocha de xisto, com pouca profundidade. É pouco mais que um simples abrigo, do qual sobressai uma ampla pala. A superfície central e frontal, que é o que apresenta a melhor e a maior parte das gravuras, foi previamente objeto de ma cuidada preparação e imprimadura.
    As incisões alongadas e finas, foram realizadas com um utensílio de pedra, provavelmente um buril. Possivelmente, depois, com uma mudança de técnica alisariam, pelo menos parcialmente, as ranhuras que têm forma fusiforme, utilizando algum tipo de abrasivo; ou, talvez, esse 'polimento' seja simplesmente o resultado da ação erosiva de agentes naturais. As incisões principais encontram-se, muito maioritariamente, em sentido vertical e a meia altura da parede frontal do citado abrigo.
    Ao longo do tempo, houve no 'abrigo' desprendimentos de lajes do xisto da lapa, que se foi acumulando no solo, só deixando parcialmente a descoberto painéis. Outra laje, de grandes dimensões e alongada, fincou-se verticalmente no sedimento e ficou encravada entre a pala e o chão do abrigo, formando uma espécie de parede incompleta, que o tapa parcialmente na sua zona direita, segundo se observa de frente ocultando, em parte, o abrigo e convertendo-o, quase, numa verdadeira caverna. Estes dados são importantes na hora de determinar a sua função.

Partilhar